sábado, 27 de março de 2021

Medo do Oceano

 Ainda tenho medo da Ponte Rio-Niterói

O vão-central é tão alto,

os aviões sempre perto e a água,

parece fria todas as vezes

Fria como essas noites

Tenho pensando nas mentiras todas os dias,

Porque tem palavras que o vento não leva,

Palavras que rasgam,

que insistem em fazer eco


Também tenho medo do túnel, 

da Roberto Silveira,

da Francisco Nunes da Cruz 

Niterói depois da São Lourenço,

é só assombro, é só solidão, só opressão

Todas as vezes que fecho os olhos,

é a bicicleta que escuto implorando,

pedindo para que eu chegue logo,

Mas nunca chegarei a tempo


Pois ainda tenho medo de descer o Cantagalo,

tenho medo de me desorientar no Cafubá,

de encontrar o caminho do mar,

e nunca mais voltar 


São Gonçalo, 2021 


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